quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Solidão

Chego em casa, roupa molhada pela breve chuva que acompanhou meus passos, o cheiro dela parece aromatizar o ar, lembra a molecagem, de futebol de rua com os amigos e das tardes monótonas em casa com vontade de sair e não poder por conta dela. A chuva.

O escuro da sala já me abraça e me convida a colocar um B.B King que ressoa por todos os cômodos da casa, estalo os dedos acompanhando a melodia e até me vejo solando Lucille, a guitarra do Rei. Passo pelo armário de cozinha, coisa simples, madeira simples, com tons pastel e de características bagunçadas, como se as coisas que estão nele inseridas, estivessem sido colocadas nos lugares errados, pego uma taça, transbordo-a de vinho e escrevo umas frases em um caderno qualquer, elas tinham que sair, pois já ocupavam boa parte do meu dia e eu jamais poderia fazê-las morrerem, então as imortalizei.

Olho o celular, são muitos contatos, são muitos amigos. São muito ocupados, então, sento e faço um acompanhamento de improviso para o Rei e degusto o vinho e a cabeça viaja, e as paredes da casa ficam pra trás, chego até o quarto dela, as duas camas, o espelho de parede, a Holy, parecem me provocar para algo mais serio, mas me sinto maduro para isso, o cabelo dela, todo diferente, com franja ou sem, ou qualquer fio que lhe cai aos olhos, me seduzem e eu acabo dançando com ela na minha imaginação.

O som acaba, volto pra mim e não ouço nada, a não ser solidão.

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